“UMA GUERREIRA QUE NÃO FOGE A LUTA”
Publicado em 04/05/2018 atualizado em 04/05/2018

Luiza Erundina se reúne com movimentos de luta por moradia em São Paulo

Desabamento em São Paulo deixa 150 famílias desabrigadas

Creditos: Edson Silva/Mandato

 

Luiza Erundina se reúne com movimentos de luta por moradia em São Paulo

A deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), representando a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM), esteve nesta quinta-feira (3), em São Paulo, em uma diligência de deputados federais, para acompanhar os desdobramentos do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo Paissandu, centro da capital. O desabamento deixou ao menos 1 vítima fatal, e 150 famílias desabrigadas. Pela manhã, Erundina se reuniu com representantes de movimentos de moradia, na Ocupação São João, na Avenida São João, também no centro da cidade. No encontro, representantes dos movimentos apresentaram preocupação com uma nova onda de criminalização dos movimentos sociais, além das questões de segurança que envolvem as ocupações. A avaliação é que setores conservadores da sociedade façam uso desse episódio para criminalizar ainda mais os movimentos, prejudicando a oferta de uma política habitacional que resolva o problema de milhares de famílias em todo o país. A segurança das famílias é tida como principal preocupação dos movimentos.

O secretário de Habitação da Prefeitura de São Paulo, Fernando Chucre, recebeu, além da deputada Luiza Erundina, os deputados federais Edmilson Rodrigues, Nilto Tatto e Margarida Salomão, membros da Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU). Chucre afirmou que em até 30 dias será oferecida uma solução de moradia definitiva para as famílias vítimas do prédio Wilton Paes de Almeida.

Os parlamentares esperam que os movimentos sociais de moradia não sejam criminalizados pela municipalidade, ao contrário do que vem sendo empenhado por parte da imprensa tradicional desde o dia da tragédia.

Ainda de acordo com representantes da Central de Movimentos Populares (CMP), Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Frente de Luta por Moradia (FLM) e União Nacional por Moradia Popular (UNMP), as vistorias nos edifícios é uma das principais preocupações, pois, os prédios ocupados, em sua maioria, estão há anos abandonados e sem qualquer manutenção.

Luiza Erundina afirmou que levará para o conhecimento dos deputados da CDHM todas as informações recebidas e os resultados da diligência em São Paulo. A parlamentar destacou que medidas devem ser tomadas urgentemente para sanar o problema de moradia nos centros urbanos. Erundina destacou a importância de uma ampla e irrestrita Reforma Urbana, que não deve passar apenas pela distribuição de moradias, mas pela democratização das condições sociais nos espaços das cidades.

O crescimento acelerado dos grandes centros urbanos não foi acompanhado por uma política de fornecimento de infraestruturas mínimas. Além disso, a enorme procura por espaços para habitação favorece o crescimento da especulação imobiliária, o que eleva o preço do solo urbano e encarece os imóveis, o que contribuiu para o crescimento de moradias precárias, geralmente em áreas irregulares. Os mais pobres, por sua vez, pagam essa conta, arbitrária e desumana com milhões de brasileiros e brasileiras.